Baltar

A origem etimologia da palavra Baltar, foi explicada de forma bem diferente, por diversos autores.

Pinho Leal disse que era uma junção de duas palavras célticas - balt (água) e aar (corrente). Para o Dr. Pedro Ferreira, Baltar deriva de walter, nome germânico pessoal que também esteve na origem de nomes como Gualter, Balteiro, etc.

Segundo o "Arqueólogo Português", Baltar é um nome geográfico já documentado em 1087.

A antiguidade do povoamento de Baltar deve atribuir-se à época romana, testemunhada pelos restos de fortificação castreja e construções dolménicas.

No lugar do Padrão, foi encontrado também, em tempos, um dólmen de dimensões extraordinárias, onde se pode observar as suas decorações profundas, que o tornavam uma verdadeira Capela Mortuária. Entre as tradições populares ligadas ao dólmen, figurante inevitáveis lendas de tesouros escondidos e uma curiosa narrativa de que ali fora enterravam a caixa do correio no tempo das invasões francesas.

Durante a idade média, Baltar pertenceu ao Concelho de Aguiar de Sousa. Em 1386, D.João I, escondeu-lhe o título de Honra e doou-a ao seu vassalo João Rodrigues Pereira. Este, por sua vez, trocou esta recém-criada Honra com o seu primo D.Nuno Álvares Pereira. Esta troca aconteceu em 30 de Outubro de 1401.

Passou assim Baltar para posse do Condestável, o qual por sua vez a doou à sua filha e marido, os condes de Barcelos e primeiros Condes de Bragança.

Com Foral próprio, Baltar tinha Câmara com dois Vereadores, Juizo Ordinário, Tribunal, Cadeia, Forca e Pelourinho. E estava sujeito à justiça superior de Barcelos.

Elevada à categoria de Vila, Baltar tinha a partir daqui enormes direitos, só comparáveis às maiores povoações do Reino. D. João VI. A 6 de Março de 1723, confirmou esses privilégios.

Até ao século XIX, Baltar pertenceu então à casa de Bragança. Em 1834, fruto do prestígio alcançado ao longo dos séculos, formou concelho próprio, que no entanto teria uma curta duração, pois foi extinto em 1837.

Deste efémero Concelho, faziam parte nove freguesias: Baltar, Cete, Vandoma, Astromil, Gandra, Sobrado, São Martinho do Campo, todas as outras seriam posteriormente integradas no Concelho de Paredes.

Em termos económicos, foi importante, durante a idade Moderna, a Feira de Baltar.

Segundo as "Memorias Paroquiais" de 1758, a importante Feira da freguesia, mensal, começara a realizar-se em 1755 e decorria no dia 16 de cada mês. O requerimento às entidades competentes tinha sido em 1746, mas só nove anos depois, curiosamente, foram pagos os emolumentos, muito provavelmente, em Julho ou Agosto de 1755.Em Fagilde, coração da Freguesia, tinha lugar uma feira de gado e artigos domésticos.

A tradição comercial teve sempre grande peso na vida da freguesia. Ainda no século XIX, havia uma grande casa comercial, conhecida por "Loja do Brasileiro", onde as pequenas lojas e o povo se iam abastecer. Havia também, nessa Altura mercearias, padarias, doçarias, lojas de fazenda, farmácia etc. Progresso assinalável, e precoce, aquele que se verificou em Baltar.

Os almocreves desempenharam também, até certa altura, papel de destaque. Em relação a eles, diz José do Barreiro: "Houve uma importante colónia de almocreves, que faziam o serviço de recovagem entre o Potro e várias terras do país, por meio de números arreatadas ou récuas de soberbos machos espanhóis e alentejanos.

Os Capelas, de Fagilde, eram os recoveiros reais para Vila Viçosa; os Sás, o lugar da Gandarinha, faziam o serviço para Bragança; os Violas, de Figueira da Porta, faziam recovagens entre o Porto e Vila real; os Ermidas, do lugar da Ferida d´Água, trabalhavam para Vila Flor; O José Bernardo, do lugar da Feira, para Murça; e outros mais. Com o sistema de locomoção moderna, tudo isso acabo, mas ficou na gente da terra o génio trabalhador."

Actualmente, ficaram para trás os almocreves, e Baltar é uma freguesia de grande movimento, comercial e industrial. Uma vasta diversidade de estabelecimentos comerciais é acompanhada pelas inúmeras oficinas e pequenas fábricas de mobiliário.










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